Not So Fabuleux

Recentemente vi o filme "Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain" e passeio o dia todo a pensar sobre o mesmo.
Para quem não viu,um resumo muito breve:é a história de uma rapariga que por falta de amor dos pais e falta de amigos,criou um mundo dela,um mundo de ilusão tornando-se numa jovem adulta incapaz de enfretar a realidade,apreciando as coisas pequenas.O seu destino muda pelo simples facto de descobrir um antigo "tesouro" de um pequeno rapaz que habitou a sua casa à imensos anos que a fez intrometer-se na vida dos outros.Um dia Amélie apaixona-se por um empregado em part-time num combioi-fantasma e numa sex-shop,coleccionador de fotografias abandonadas e rasgadas à volta das Photomatons.Começa então o jogo das escondidas à volta de um albúm de fotos perdido,bilhetes originais e objectos falantes.
Este filme fez-me pensar na minha vida e um pouco na vida dos outros também.Adoraria ser como Amélie,inventando e re-inventando o mundo à minha volta,fazer as coisas complicadas simples e divertidas e as coisas simples mais complicadas e impossíveis.Quem não tem medo do normal?Quem não sonha com uma paixão que comece com o primeiro olhar?Ir mais além e nunca o demonstrar...
Divagar por entre os passeios,o metro,a chuva reparando em todos os pequenos pormenores,todos os dias como se os tivesse a ve pela primeira vez.Sentir aquela sensação do novo,da descoberta,da posterior curiosidade...aquela sensação de pequena euforia.Olhar para a transparência de cada alma e ajudar anonimamente sem receber o vulgar obrigado.
Falo por mim,quando digo que no meu dia-a-dia jamais era capaz de ser diferente do que sou,por muito que queira.Posso fazer aquilo que quero,mas realmente não o posso,porque não tenho coragem para as reacções,se bem que tantas vezes essas são ignoradas.Tenho que me submeter para ser tudo aquilo que imagino um dia vir a ser,no entanto sem certezas.E submeto-me a quê?A horários,a rotinas,a manisfestções públicas,a aglomerados,a locais,a leituras,a conversas...Metamorfoses que me transformam e moldam para caber em cada um daqueles orifícios sufocantes nas horas mortas...quando chego a casa,e me apercebo,é tarde de mais.Volto a mim,mas não fui ou não sou naquele ou no outro instante,eu mesma,pois senti vontade de gritar e reprimi,assim como reprimo tantas outras coisas ao longo das semanas,dos dias,das horas,dos minutos,dos segundos.Sinto isso enquanto escrevo,agora.
Não se trata de um tema politico.Mais de um tema cultural,de um certo tabu pois nunca ouço ninguém a falar sobre modos de vida alternativa.É ousado e preguiçoso pensar sobre tal?
Por enquanto vou tentando pertencer pois não deixo de ser banal,mas também não me sinto exactamente igual

3 Comments:
O Fabuluso Destino de Amélie é um filme fantástico. no verdadeiro sentido da palavra. é uma fantasia boémia que acontece ao pé de nós, um conto de fadas urbano num cenário com o qual nos podemos identificar. e a amélie é aquela pessoa que, no fundo, todos gostávamos de ser, de ter aquela liberdade incrível, parar para cheirar as rosas, descobrir caminhos em cada canto, histórias fascinantes em cada pessoa...
ela é a pequena criancinha que temos cá dentro, exploradora e curiosa, ao mesmo tempo doce e malandra (só akele sorriso maroto dela nos faz sorrir tb =D)
mas, outro pormenor importante, ela é uma solitária. pode-se dizer que o preço pelo seu pequeno mundo foi uma fronteira com o resto do universo, apesar de conversar, socializar e caminhar com outras pessoas, mantém a melhor parte de si mesma secreta, escondida. (até encontrar alguém semelhante)
todos sentem pelo menos uma vez nas suas vidas a necessidade de ir contra a corrente, de se libertar de amarras, de fazer algo completamente impensável e fora do vulgar. de, por uma vez, não ser aquilo que as pessoas esperam que seja, quebrar a rotina. infelizmente, a hegemonia cultural está sempre pronta a suprimir esses impulsos, por mensagens subliminares que nos desencorajam. uma forma de repressão, sem dúvida, mas tão bem engendrada que nos faz pensar que o impedimento vem de nós mesmos, quase uma programação, lavagem cerebral (o termo é um pouco áspero)
os poucos que conseguem desertar do rebanho e submeter-se a ser chamados de loucos ou estranhos são os que estão mais próximos de serem livres.
(ufa, desculpa o exagero, não sei o que me deu =S)
:o
Como é que esse filme me escapou durante tanto tempo? vou tratar já de o ir ver
***
e adivinha ke filme vai dar na Rtp1 no Domingo? x)
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